Em uma operação policial de grande escala, nove pessoas foram detidas nesta semana na China após invasões em residências e no escritório de uma rede de igrejas cristãs independentes. Centenas de agentes armados participaram da ação, que incluiu o início da demolição de um templo religioso, simbolizando o endurecimento da perseguição contra grupos cristãos não controlados pelo governo.
Sob a liderança do presidente Xi Jinping, as autoridades chinesas têm acelerado medidas repressivas contra minorias religiosas. No final de 2025, impressionantes 130 religiosos e membros de igrejas foram presos em diversas regiões do país. O objetivo declarado é forçar os cristãos a aderirem exclusivamente a denominações oficiais, geridas pelo Estado e com pastores previamente aprovados pelas instâncias partidárias.
Essas ações fazem parte de uma campanha mais ampla de controle ideológico. No ano passado, o governo promulgou decretos rigorosos que proíbem clérigos de todas as religiões de realizar pregações ao vivo nas redes sociais, organizar atividades online para crianças ou captar recursos financeiros pela internet. Qualquer iniciativa desse tipo só é permitida em plataformas estatais devidamente autorizadas, sob pena de sanções severas.
Especialistas em direitos humanos apontam que essa ofensiva visa reprimir as religiões, alinhando-as aos preceitos do Partido Comunista Chinês. Famílias de detidos relatam buscas violentas e confisco de materiais litúrgicos, enquanto fiéis descrevem um clima de medo que impede cultos livres. A demolição em curso, vigiada por um cordão de policiais pesadamente armados, reforça a mensagem: dissidência religiosa não será tolerada.
Internacionalmente, organizações como a Anistia Internacional condenam as violações à liberdade de crença, garantida nominalmente pela Constituição chinesa. Enquanto isso, o governo de Xi defende as medidas como proteção à "harmonia social" e combate a "influências estrangeiras". O caso ilustra o crescente autoritarismo em Pequim, onde a fé organizada desafia o monopólio ideológico do Estado.

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