A adesão de companhias da lista Fortune 500 — que reúne as 500 maiores empresas dos Estados Unidos — ao índice de políticas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) despencou 65% no último ano. Em números absolutos, o grupo de empresas que contribuíram com dados para a análise de igualdade corporativa encolheu de 377 em 2025 para apenas 131 em 2026, segundo relatório recente.
Gigantes do varejo, fast-food e finanças lideram as deserções. Walmart, McDonald’s, JPMorgan Chase e Ford estão entre as que optaram por não fornecer informações para a avaliação deste ano. Esse movimento reflete uma tendência crescente: muitas corporações abandonam ou minimizam as políticas DEI em suas culturas internas, evitando exposição pública no tema sensível.
O recuo ganha força em meio a pressões de figuras conservadoras nos EUA. Elas criticam metas de contratação por cotas raciais ou de gênero e questionam patrocínios a eventos LGBTQ+. Líderes como Elon Musk e Vivek Ramaswamy têm impulsionado o debate, argumentando que tais práticas priorizam ideologia sobre mérito, o que assusta executivos preocupados com boicotes de consumidores e ações judiciais.
Por que isso importa? A mudança sinaliza uma reviravolta no mundo corporativo, onde o DEI, outrora pilar de marcas progressistas pós-George Floyd, agora vira alvo em um clima político polarizado. Empresas temem perder investidores e clientes em estados republicanos, como Texas e Flórida, que aprovaram leis anti-DEI.
Nem tudo está perdido para os defensores da causa. Apesar das saídas, 534 das 1.450 empresas participantes ainda conquistaram nota máxima de 100 no índice. Além disso, 98% das avaliadas mantêm proteções explícitas contra discriminação por identidade de gênero e orientação sexual. Isso sugere que compromissos estruturais sobrevivem, mesmo com menos visibilidade pública.
Comentários: