O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra crescente irritação com a condução do inquérito sobre fraudes no Banco Master pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Nos bastidores, Lula teria expressado a aliados insatisfação profunda, chegando a sugerir que Toffoli deveria deixar a Corte ou se aposentar, conforme reportagens da Folha de S. Paulo. A tensão escalou após encontros e revelações que conectam o ministro a fundos ligados ao banco e impõem sigilo a partes do processo.
Em dezembro de 2024, Lula se reuniu com Toffoli, ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em encontro não oficializado na agenda do Planalto. Na ocasião, o presidente teria confiado que o ministro "faria a coisa certa". No entanto, o otimismo mudou com reportagens expondo ligações de Toffoli a entidades financeiras envolvidas no caso. O receio de Lula centra-se no risco de desgaste institucional ao STF e na imagem de conivência do governo com possível abafamento das investigações – um cenário explosivo às vésperas das eleições, especialmente pelo histórico de Toffoli como ex-advogado do PT antes de ingressar no Supremo.
Dois episódios agravam a crise. Primeiro, Lula recebeu no Planalto o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, em reunião articulada por Guido Mantega, ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff. Mantega, que atuou no banco com salário milionário de R$ 1 milhão por mês, ajudou na negociação de venda do Master ao BRB. Segundo, o banco firmou contrato de R$ 6,5 milhões com o escritório de advocacia do ministro Ricardo Lewandowski, vigente de agosto de 2023 a setembro de 2025 – período em que Lewandowski ocupou por 21 meses o cargo de Ministro da Justiça no governo Lula.
A preocupação transcende o Planalto e ganha eco no STF. O presidente da Corte, Edson Fachin, defende a criação de um Código de Conduta para magistrados, ampliando transparência inclusive sobre parentes. "Ou nos autolimitamos, ou poderá haver limitação de um Poder externo", alertou Fachin, sinalizando tensões internas sobre ética no Judiciário. O caso Banco Master, assim, expõe fissuras políticas e institucionais que podem reverberar por anos.
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