Sete governadores brasileiros anunciaram, nesta quinta-feira (30), o lançamento do "Consórcio da Paz", uma iniciativa para fortalecer a cooperação entre estados no combate ao crime organizado. A proposta prevê a troca de informações de inteligência, apoio financeiro mútuo e o compartilhamento de contingente policial. O Rio de Janeiro será a sede inicial, coordenando a formalização do grupo, com o objetivo de ampliar para as 27 unidades federativas.
A criação do consórcio ocorre após operação policial no Rio que resultou em 121 mortes nos complexos do Alemão e da Penha, com apreensão de 93 fuzis. A ação visava capturar o principal chefe do Comando Vermelho, mas não teve sucesso nessa prisão. Embora elogiada oficialmente pelos governadores como uma das operações mais bem-sucedidas, a ação gerou críticas de especialistas e ONGs que apontam a letalidade excessiva, denúncias de execuções e torturas, além do impacto negativo nas comunidades locais.
Participaram presencialmente da reunião governadores do Rio de Janeiro (Cláudio Castro), Minas Gerais (Romeu Zema), Santa Catarina (Jorginho Mello), Mato Grosso do Sul (Eduardo Riedel), Goiás (Ronaldo Caiado) e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participou por videoconferência. Eles destacaram que o consórcio atuará de forma prática e sem “politização” da segurança pública.
Os governadores também criticaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública enviada pelo governo federal, que pretende centralizar a política nacional de segurança pública sob responsabilidade da União, reduzindo a autonomia dos estados. Para Ronaldo Caiado, isso configuraria uma intervenção direta nas polícias estaduais, contrariando a Constituição de 1988.
Na quarta-feira (29), foi anunciado um escritório emergencial para melhorar a integração entre as esferas federal e estadual na luta contra o crime organizado, além do aumento do efetivo da Polícia Rodoviária Federal e de agentes de inteligência no Rio de Janeiro. O governo federal também autorizou a transferência de 10 presos do Rio para presídios federais a pedido do governador Castro.
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