Na última sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a demissão do ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, após acusações de assédio sexual, antes mesmo da conclusão das investigações. A decisão veio antes do prazo de 10 dias estabelecido pela Comissão de Ética Pública da Presidência, mostrando a urgência com que o governo tratou o caso.
As acusações de assédio, trazidas à tona pela organização Me Too Brasil, apontam que uma das vítimas seria a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Relatos descrevem toques inadequados e avanços sexuais por parte de Almeida. Embora Anielle tenha mantido silêncio sobre o caso, uma publicação de apoio da primeira-dama, Janja Lula, em suas redes sociais sugeriu uma proximidade com as vítimas e intensificou a pressão sobre o ministro.
Em pronunciamento na tarde de sexta-feira, Lula indicou que não poderia manter Almeida no governo diante das acusações, reafirmando sua posição de que "quem pratica assédio não fica no governo". Por volta das 20h, o Diário Oficial da União trouxe a oficialização da demissão, marcando a quarta queda de ministro no atual governo.
Silvio Almeida, que nega as acusações, divulgou um vídeo na quinta-feira e uma nota à imprensa após sua demissão, afirmando que provará sua inocência e solicitando investigações pelo Ministério da Justiça, Procuradoria Geral da República e Controladoria Geral da União.
A demissão ocorre em um momento delicado para Lula, que no Dia da Independência participa de eventos públicos, onde o tema deve dominar as discussões. Além disso, manifestações da direita, previstas para este fim de semana, podem usar o caso para atacar o governo, em meio a uma crescente polarização política no país.
Tribuna Digital