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Terça-feira, 28 de Abril de 2026
México escolhe juízes da Suprema Corte pelo voto popular

Justiça

México escolhe juízes da Suprema Corte pelo voto popular

Reforma inédita de Claudia Sheinbaum divide opiniões e levanta debate global sobre a independência do Judiciário

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Em um movimento sem precedentes na história mundial, o México foi palco, ontem, de uma eleição que chacoalhou as estruturas do seu sistema judiciário. Pela primeira vez, juízes da Suprema Corte e de todo o Judiciário mexicano foram eleitos diretamente pela população. A reforma, impulsionada pelo governo da presidente Claudia Sheinbaum, resultou na escolha de mais de 2.600 magistrados federais e locais entre 7.700 candidatos. Para concorrer, bastava ter licença para advogar, nota 8 na faculdade e ficha limpa no México, dispensando os tradicionais concursos públicos ou indicações presidenciais.

A novidade, contudo, já provoca forte reação. A controvérsia se intensifica com a revelação de que, entre os candidatos, um já foi preso por tráfico nos EUA e outro é ex-advogado de El Chapo, um dos maiores narcotraficantes da história.

O cerne da questão reside na intenção do governo Sheinbaum de afastar a influência política sobre o Judiciário. Em muitos países, incluindo o Brasil, ministros da Suprema Corte são nomeados pelo presidente da República, o que frequentemente gera críticas e contestações, especialmente porque a Corte é responsável por julgar casos envolvendo políticos. Exemplos recentes no Brasil, como as nomeações de Zanin (ex-advogado pessoal de Lula) e Dino (ex-aliado político de Lula), ilustram essa preocupação.

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Por outro lado, críticos da reforma mexicana alertam para um grande risco de populismo judicial, a infiltração de cartéis e uma possível queda na qualidade das decisões. A complexidade da função judicial e a necessidade de imparcialidade levantam a dúvida sobre se a eleição popular é o caminho mais adequado para garantir a integridade do sistema.

No final das contas, o México abre um novo capítulo na discussão sobre a escolha dos juízes de uma nação, deixando em aberto a pergunta: quem, de fato, deveria ter o poder de escolher aqueles que julgam as leis de um país?

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Getty Images
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