Um estudo recente expôs uma realidade alarmante no mercado de aluguéis residenciais brasileiros: 85% dos locadores cometem evasão fiscal ao não formalizar contratos e deixar de recolher impostos à Receita Federal. Essa prática informal, comum em negociações familiares ou informais — como o aluguel de um apartamento de um tio sem papelada ou a recusa de contratos formais —, resulta em uma perda anual de R$ 65 bilhões para os cofres públicos, equivalente a cerca de 0,5% do PIB nacional. Para se ter uma ideia do impacto, esse valor poderia bancar a educação de 3,6 milhões de alunos na rede pública por ano.
O crescimento explosivo do aluguel como forma de moradia agrava o problema. Entre 2000 e 2022, a proporção de domicílios alugados saltou de 14% para 22%, totalizando 16 milhões de residências. Se a evasão persistir nesse ritmo, junto ao aumento dos aluguéis, a arrecadação de impostos tenderá a cair ainda mais, comprometendo investimentos em serviços essenciais.
Nas capitais, o cenário é ainda mais crítico. Das 27 cidades, 14 registram índices de evasão acima de 90%. Manaus, Boa Vista, São Luís, Belém e Maceió lideram, com taxas próximas de 100%, destacando desigualdades regionais na fiscalização.
O fenômeno não é exclusividade brasileira. Nos Estados Unidos, 51% da renda de aluguéis permanece não declarada. Países europeus também enfrentam números elevados de informalidade. O estudo define evasão como a ausência de registro no sistema da Receita Federal, embora alguns locadores possam declarar via Imposto de Renda diretamente.
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