A Polícia Federal (PF) intensificou nesta quinta-feira a ofensiva contra um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, que pode ter desviado R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Na operação batizada de nova fase da investigação, agentes cumpriram 52 mandados de busca e apreensão, 16 prisões preventivas e diversas medidas cautelares em vários estados. Destaque para a prisão domiciliar de Adroaldo Portal, ex-número 2 da Previdência Social, apontado como peça-chave no esquema.
Investigadores revelaram indícios de repasses suspeitos e movimentações em dinheiro vivo que somam quase R$ 250 mil em poucos meses. A ação vai além de servidores e lobistas: a PF aponta o senador Weverton Rocha (PDT-MA), líder de seu partido no Senado e vice-líder do governo Lula, como possível beneficiário final das fraudes. A prisão do parlamentar foi pedida pela PF, mas negada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa o caso com cautela.
O escândalo ganha contornos políticos com menções a Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula. Mensagens interceptadas mostram Antônio Camilo Antunes, apelidado de "Careca do INSS", instruindo um funcionário a pagar R$ 300 mil à empresa de Roberta Luchsinger, herdeira milionária e amiga de Fábio. Na troca, Antunes se refere ao valor como destinado "ao filho do rapaz", sem nomear explicitamente. Semanas antes, um ex-funcionário do lobista alegou pagamento de R$ 25 milhões a Lulinha, além de uma "mesada" mensal de cerca de R$ 300 mil.
Em resposta às denúncias, o presidente Lula afirmou que, se houver envolvimento de qualquer filho seu, a pessoa será investigada. "Se tiver filho meu envolvido, será investigado", declarou, reforçando a necessidade de apuração imparcial. A PF continua as diligências para mapear a rede de corrupção, que explora vulnerabilidades no sistema previdenciário e afeta milhares de aposentados.
A operação expõe falhas crônicas no INSS e reacende debates sobre fiscalização em benefícios sociais. Autoridades prometem mais desdobramentos, enquanto a sociedade cobra transparência em meio a ramificações políticas de alto calibre.

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