Medicamentos populares para perda de peso, como Ozempic e Mounjaro, estão associadas a um efeito colateral preocupante: gestações inesperadas em mulheres que usam anticoncepcionais orais. A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA), equivalente à Anvisa brasileira, emitiu orientações específicas para mulheres em idade fértil após registrar 40 notificações de gravidez durante o uso dessas injeções.
O fenômeno ganha destaque com o aumento do uso desses fármacos, inicialmente aprovados para diabetes tipo 2, mas amplamente adotados para emagrecimento. Semaglutida (princípio ativo do Ozempic) e tirzepatida (do Mounjaro) atuam retardando o esvaziamento gástrico, o que prolonga a permanência de alimentos e remédios no estômago. Essa ação, benéfica para controle de apetite e glicemia, interfere na absorção de pílulas anticoncepcionais tomadas por via oral, reduzindo sua eficácia.
Especialistas da MHRA recomendam que usuárias de contraceptivos hormonais optem por métodos alternativos, como preservativos, DIU ou injeções, durante o tratamento e por pelo menos um mês após a interrupção. "Mulheres precisam estar alertas a esse risco, especialmente se não planejam engravidar", alerta o comunicado oficial. No Brasil, a Anvisa ainda não emitiu alerta similar, mas médicos endocrinologistas já orientam pacientes sobre precauções extras.
Casos relatados envolvem usuárias que seguiam rigorosamente a prescrição da pílula, mas enfrentaram falhas contraceptivas. Estudos preliminares sugerem que o atraso na digestão pode diminuir em até 30% a biodisponibilidade de hormônios contraceptivos. Com o boom desses medicamentos — Ozempic registrou vendas bilionárias globalmente —, o alerta reforça a necessidade de orientação médica personalizada.
A MHRA monitora o tema e pode atualizar bulas. Mulheres devem consultar profissionais de saúde antes de iniciar o tratamento, priorizando contracepção não oral para evitar surpresas.

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