O ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, foram indiciados pela Polícia Federal (PF) por coação no curso do processo, em uma ação penal que investiga o golpe de Estado. O indiciamento aponta que ambos agiram para atrapalhar a investigação e planejavam a abolição do Estado democrático de direito.
As provas foram obtidas a partir da análise de dados recuperados do celular de Bolsonaro, que havia sido apreendido. Entre os achados, a PF encontrou conteúdos de mídia proibidos, indícios de movimentações financeiras suspeitas no valor de R$ 2 milhões em transferências entre pai e filho, e um rascunho de pedido de asilo político na Argentina. Para as autoridades, esse último documento reforça a ideia de que Bolsonaro planejava deixar o Brasil desde o início de 2024. Diante dos fatos, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, deu 48 horas para a defesa do ex-presidente se manifestar sobre o descumprimento das medidas cautelares.
Ainda no material apreendido, a PF encontrou diálogos entre Bolsonaro e Eduardo, revelando desavenças familiares e políticas. Em uma troca de mensagens, o filho cobrou que o pai publicasse um agradecimento a Donald Trump, o que a PF considera uma tentativa de alinhamento com os Estados Unidos. Outras conversas mostram um "climão" entre os dois, com Eduardo disparando xingamentos contra o pai.
Paralelamente, o pastor Silas Malafaia também entrou no radar da PF e teve seus celulares e passaporte apreendidos. Diálogos entre Malafaia e Bolsonaro também foram recuperados, em que o pastor chama Eduardo de "babaca" após divergências políticas. O pastor deve ser intimado a depor e, em resposta a Moraes, disse que precisariam prendê-lo para calá-lo.
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