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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
PL da Misoginia emperra na Câmara após aprovação no Senado

Política

PL da Misoginia emperra na Câmara após aprovação no Senado

Nikolas Ferreira anuncia que proposta não avança em 2026; senadoras celebram texto que criminaliza preconceito contra mulheres

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Em meio a debates acalorados sobre liberdade de expressão e combate à violência de gênero, o Projeto de Lei nº 896/2023, conhecido como "PL da Misoginia", enfrenta resistência na Câmara dos Deputados. Na segunda-feira (7), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou nas redes sociais que a proposta não entrará em pauta pelo menos até o período eleitoral deste ano. Segundo ele, líderes partidários tomaram essa decisão, freando o avanço do texto aprovado pelo Senado Federal em 24 de março.

De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e relatado por Soraya Thronicke (Podemos-MS), o projeto altera a Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989) para incluir a misoginia entre os crimes de preconceito. A pena prevista varia de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para atos motivados por ódio contra mulheres. Além disso, o texto modifica o Código Penal, dobrando as penas para crimes contra mulheres em contextos de violência doméstica e familiar. Lobato comemorou a aprovação no Senado, afirmando: "Uma grande vitória e uma resposta firme a esse tipo de violência, que começa na palavra, no desrespeito e na ideia de que a mulher vale menos. Misoginia é violência e não pode mais ser normalizada."

A reação de Nikolas Ferreira veio no dia seguinte à votação no Senado. Em vídeo publicado nas redes, o deputado criticou duramente a iniciativa, argumentando que ela não visa combater agressões reais, como homicídios ou estupros contra mulheres – crimes já punidos pela legislação vigente. "Na prática, o que eles estão querendo com essa criminalização da misoginia não é uma ação concreta contra, por exemplo, estupradores, criminosos, homens que batem em mulher. É um instrumento de lei extremamente subjetivo para poder silenciar as outras pessoas, inclusive, mulheres", disparou ele. Ferreira ainda ironizou possíveis interpretações amplas da lei, questionando: "Rebaixar mulheres ao termo 'pessoas que gestam' também seria considerado misoginia?", em alusão ao ativismo trans.

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O embate reflete divisões ideológicas no Congresso. De um lado, defensores veem na proposta uma ferramenta essencial para coibir o ódio misógino, que muitas vezes precede violências físicas. Do outro, opositores temem censura e subjetividade na aplicação, o que poderia inibir debates públicos. Com a Câmara em recesso próximo e eleições à vista, o futuro do PL da Misoginia permanece incerto, demandando articulação política para superar o impasse.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Câmara dos Deputados Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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