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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026
PL que proíbe mudanças na Bíblia por textos ideológicos avança no Congresso

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PL que proíbe mudanças na Bíblia por textos ideológicos avança no Congresso

Entidades religiosas questionam legalidade e viabilidade da proposta que busca preservar texto bíblico sem definir versão oficial

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Um projeto de lei que impede qualquer alteração na Bíblia Sagrada, aprovado pela Câmara em 2022 e em tramitação no Senado, tem gerado críticas entre entidades ligadas a igrejas evangélicas e católicas. A proposta veda modificações nos textos do Antigo e Novo Testamento para garantir que o conteúdo bíblico "permaneça imutável", conforme justifica o deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), autor do projeto. Ele ressalta que a intenção é impedir futuras tentativas de manipular o texto por motivações políticas, ideológicas ou comerciais, defendendo o patrimônio espiritual, cultural e religioso do Brasil.

No entanto, representantes religiosos alertam para os problemas da iniciativa, principalmente por ela não especificar qual versão da Bíblia seria oficial, já que diferentes denominações adotam traduções divergentes. Por exemplo, a oração do Pai Nosso é cantada de formas distintas nas igrejas evangélicas e católicas, mostrando as variações entre os textos. O reverendo Erní Walter Seibert, da Sociedade Bíblica do Brasil, destaca que mudanças técnicas, como a divisão em capítulos e versículos ou a inclusão de vogais no Antigo Testamento, evidenciam que o texto bíblico passou por revisões ao longo do tempo.

Em audiência pública no Senado, líderes como o padre Cássio Murilo Dias da Silva, da CNBB, criticaram a proposta, argumentando que ela transfere para o Estado a responsabilidade sobre um texto religioso, o que pode inviabilizar o diálogo inter-religioso e ecumênico. O risco de prejudicar futuras revisões e atualizações da Bíblia também foi ressaltado.

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O projeto, que já recebeu parecer favorável do relator senador Magno Malta (PL-ES) na Comissão de Direitos Humanos, ainda passará pela Comissão de Educação. Malta afirma que a lei visa preservar o conteúdo da Palavra de Deus, sem interferir nas diferentes versões usadas pelas denominações. Por outro lado, parlamentares como Luiz Gastão (PSD-CE), presidente da Frente Parlamentar Católica, destacam falhas no texto e sugerem reconhecer a autenticidade das diversas Bíblias, evitando conflitos.

Assim, o debate permanece aberto entre preservar a integridade do texto sagrado e respeitar as diversidades culturais e religiosas que fazem parte do cenário cristão brasileiro.

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