O ano de 2026 começou com revelações bombásticas no Supremo Tribunal Federal (STF). No dia 30 de dezembro de 2025, o ministro Dias Toffoli retirou o sigilo de um depoimento de três horas prestado por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, à Polícia Federal. Gravado na sede do STF, o vídeo mostra o banqueiro, que usa tornozeleira eletrônica, tentando justificar um rombo financeiro de R$ 47 bilhões no banco, liquidado pelo Banco Central (BC) após anos de escândalos.
Vorcaro se mostrou à vontade durante o interrogatório. Em tom leve, brincou com um investigador, dizendo que ele tentava "pegá-lo" desde 2019, gerando momentos de descontração em meio à gravidade do caso. Ele reclamou da cobertura midiática e da regulação bancária, mas negou influência política excessiva. "Se eu tivesse relações políticas como dizem, não estaria de tornozeleira", disparou. Ainda assim, admitiu: "Tenho amigos de todos os Poderes, não consigo nominar aqui quem frequentava a minha casa". A declaração alimenta suspeitas de conexões em altos escalões.
Outro ponto polêmico foi a tentativa frustrada de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro alegou que o BC incentivou a operação e que ele teria avisado sobre a negociação de créditos originados por terceiros – informação negada veementemente pelo ex-presidente do BRB. Os números chocam: o diretor do BC, Ailton Aquino, revelou que o banco tinha apenas R$ 4 milhões em caixa no momento da liquidação, um valor irrisório frente aos R$ 80 bilhões declarados em ativos. "É incomum para um banco desse porte", destacou Aquino.
O pré-Réveillon já havia sido caótico para o Master, mas essas gravações intensificam o escrutínio. Toffoli sinalizou que o caso pode voltar à primeira instância, mas sem garantias. O destino depende dos celulares apreendidos de Vorcaro e aliados. Se surgirem menções a deputados, senadores ou autoridades com foro privilegiado, o processo fica no STF. As investigações prometem mais reviravoltas em um dos maiores calotes bancários da história recente do Brasil.
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