Os protestos contra o governo iraniano explodiram nesta quinta-feira, ecoando o grito "Morte ao ditador" em mais de 110 cidades espalhadas por todas as províncias do país. Manifestantes, frustrados com a crise econômica aguda, incendiaram prédios públicos, como o edifício do governo provincial e a sede da TV estatal local. Essa onda de insatisfação ganhou força na última semana, impulsionada pelo colapso do rial, a moeda local, que atingiu mínimas históricas, e pela inflação que disparou para 40%. Esses fatores tornaram itens básicos inacessíveis para a população, unindo comerciantes, estudantes e cidadãos comuns em demandas por mudanças políticas e melhores condições de vida.
Ativistas relatam um saldo trágico: ao menos 45 mortes em confrontos violentos e quase 2.300 prisões. O regime teocrano respondeu com medidas drásticas, incluindo o desligamento total da internet no país para impedir a coordenação das manifestações. Esse levante representa o maior desafio à autoridade de Teerã desde as revoltas de 2022, expondo fissuras profundas no sistema.
A situação atraiu olhares internacionais, especialmente de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Ele ameaçou uma resposta "com muita força" caso o governo iraniano continue a reprimir e matar manifestantes, sinalizando possível escalada de tensões geopolíticas.
Enquanto isso, a 1.600 km de distância, na Síria, as Forças Armadas atacaram bairros curdos em Aleppo, a capital do norte. Os curdos, maior grupo étnico sem Estado próprio no mundo, enfrentaram ordens de evacuação forçada, resultando em milhares de deslocados, além de mortos e feridos. Esses eventos destacam a instabilidade persistente no Oriente Médio, onde crises econômicas e étnicas alimentam conflitos armados.

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