O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), rejeitou nesta quarta-feira (11) uma proposta para abrir mão de sua pré-candidatura à Presidência da República e assumir a vice na chapa liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão foi tomada durante reunião na sede do governo paranaense em Brasília, com o senador Rogério Marinho (PL-RN), que sugeriu a aliança entre PSD e PL para as eleições de 2026.
De acordo com aliados ouvidos pela reportagem, Ratinho descartou a composição nacional de imediato. Ele reforçou que segue firme em seu projeto presidencial e que o PSD definirá o nome da chapa em convenção marcada para 25 de março. "O governador deixou claro que prioriza a viabilização de sua própria candidatura", afirmou uma fonte próxima ao encontro, que também contou com a coordenação de campanha do PL.
Durante a conversa, Ratinho Junior trouxe à tona um episódio de desgaste nas eleições municipais de 2024, em Curitiba. O PL havia indicado o vice na chapa apoiada pelo governador, mas, no segundo turno, o ex-presidente Jair Bolsonaro declarou apoio à opositora Cristina Graeml, o que gerou atrito entre os grupos. O governador usou o caso para ilustrar ressalvas na relação partidária, mas evitou romper pontes completamente.
Apesar da recusa à vice-presidencial e das críticas ao passado, Ratinho sinalizou que alianças regionais permanecem intactas. Ele reafirmou o compromisso de 2024 de apoiar o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) na corrida ao Senado pelo Paraná. "Os acordos locais seguem firmes, independentemente de composições nacionais", destacou o governador, segundo participantes da reunião.
A postura de Ratinho Junior reflete o cenário de rearranjos no Centro-direita brasileiro rumo a 2026. O PSD busca se consolidar como alternativa ao PL bolsonarista, enquanto Flávio Bolsonaro tenta montar uma chapa competitiva. Analistas apontam que a recusa pode tensionar negociações, mas fortalece a autonomia do governador paranaense, que tem alta aprovação local.
O encontro em Brasília ocorre em meio a outras polêmicas envolvendo Ratinho, como acusações de transfobia em fala contra a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), mas o foco agora é na estratégia eleitoral.
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