O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a prisão imediata do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam, nesta segunda-feira (2). A decisão, proferida pelo ministro Joel Ilan Paciornik, foi divulgada pelo tribunal nesta terça-feira (3). Paciornik revogou sua própria liminar de setembro do ano passado, que havia autorizado a soltura do cantor sob regime de monitoramento eletrônico com tornozeleira.
O motivo central da revogação foi um relatório de monitoramento que apontou graves irregularidades. Em apenas 43 dias, entre setembro e novembro de 2025, a tornozeleira registrou 28 interrupções de sinal. Tais falhas levantaram suspeitas de descumprimento das condições impostas para a liberdade provisória, justificando a ordem de prisão em flagrante para cumprimento imediato.
Oruam enfrenta investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro por uma série de crimes graves, incluindo associação ao tráfico de drogas, tráfico propriamente dito, resistência, desacato à autoridade, dano, ameaça e lesão corporal. As acusações remontam a julho de 2025, quando o rapper e outros envolvidos teriam tentado obstruir uma operação policial. Na ocasião, agentes tentavam cumprir mandado de busca e apreensão contra um adolescente supostamente atuante como segurança pessoal de líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), uma das mais poderosas do Rio.
O contexto familiar agrava o caso: Oruam é filho de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, notório traficante preso em penitenciária federal. A ligação com o crime organizado tem sido explorada pela investigação, que busca apurar a extensão da influência do rapper nas atividades ilícitas da CV.
A prisão representa um revés para Oruam, cuja carreira musical ganhou projeção com letras acusadas de apologia ao crime. A defesa ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão. O caso segue sob sigilo parcial no STJ, mas reforça o rigor judicial contra figuras públicas envolvidas em investigações de facções.
Comentários: