Em Davos, na Suíça, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou a criação do Conselho da Paz, um novo órgão internacional que promete supervisionar a transição governamental na Faixa de Gaza e promover a estabilidade global. A iniciativa surge na segunda fase do acordo de paz entre Israel e Hamas, transformando Gaza em uma zona desmilitarizada, gerida por um comitê palestino tecnocrático sob supervisão internacional. Trump, no entanto, assumirá o cargo de presidente vitalício do conselho, com poderes de veto e autoridade para selecionar membros, o que já gera controvérsias.
O estatuto do conselho exige que países interessados em se tornarem membros permanentes paguem US$ 1 bilhão, uma condição que Trump justificou como necessária para financiar operações. Dos 60 líderes mundiais convidados, apenas um terço confirmou participação até o momento. Reino Unido, China e Brasil ainda não responderam aos convites, enquanto a França já recusou categoricamente. Trump criticou abertamente instituições multilaterais, como a ONU, afirmando que o novo órgão poderia substituí-la por "ter falhado" em promover a paz.
Diplomatas alertam que o Conselho da Paz nasce como uma "ONU paralela", podendo enfraquecer os 80 anos de trabalho da Organização das Nações Unidas, fundada após a Segunda Guerra Mundial para garantir paz, segurança internacional e direitos humanos. Os EUA, apesar de terem saído da OMS e da Comissão de Direitos Humanos da ONU, mantêm sua participação normal na entidade principal.
No mesmo evento em Davos, Trump se reuniu com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. O líder da Ucrânia anunciou que representantes de Rússia, Ucrânia e EUA realizarão, neste fim de semana, a primeira reunião conjunta para discutir o fim da guerra no leste europeu, sinalizando avanços em negociações paralelas.
A criação do conselho reflete a ambição de Trump de reformular a ordem global, mas enfrenta resistências de potências que veem na proposta um risco à multilateralidade tradicional.
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