O Brasil, outrora referência em campanhas de vacinação, lamentavelmente retornou à lista dos países com o maior número de crianças sem imunização completa, de acordo com dados alarmantes divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A situação representa um revés significativo para a saúde pública nacional, com um aumento quase o dobro no número de crianças não vacinadas em comparação com o ano anterior.
Em 2024, 229 mil crianças brasileiras não receberam nenhuma dose de vacina, um salto preocupante em relação às 103 mil registradas em 2023. Esse incremento posiciona o Brasil na 17ª posição no ranking global de crianças não imunizadas. No cenário latino-americano, o país é responsável por 16,8% das crianças sem vacinação, ficando atrás apenas do México, que contabiliza cerca de 341 mil crianças nessa situação.

Esse retrocesso marca uma inversão do avanço observado em 2023, quando o Brasil havia conseguido sair dessa lista negativa. O retorno ao ranking global é atribuído a um histórico recente de queda nas coberturas vacinais, somado a mudanças na metodologia de cálculo do Unicef. A nova abordagem, que excluiu um antigo fator de correção utilizado para suavizar inconsistências de dados, resultou em uma estimativa de cobertura vacinal rebaixada para o Brasil.
Globalmente, o cenário também é desafiador. O número de crianças que não receberam nenhuma dose de vacina – as chamadas “dose zero” – atingiu 14,3 milhões em 2024. Além disso, outras 5,7 milhões de crianças receberam apenas parte das imunizações recomendadas. Apesar de um progresso global, com 171 mil crianças a mais vacinadas em 2024 e 1 milhão completando o esquema de três doses da DTP (difteria, tétano e coqueluche), quase 20 milhões de crianças em todo o mundo ainda não estão completamente protegidas.
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