Com a saca de café arábica atingindo valores históricos entre R$ 2.000 e R$ 2.500, o Brasil se depara com uma preocupação inédita no agronegócio: o roubo de café. O grão, que antes era apenas um produto agrícola, transformou-se em um cobiçado ativo para criminosos, que agora miram desde fazendas produtoras até caminhões carregados nas estradas.
Em abril deste ano, um caso emblemático chocou o setor: uma carga avaliada em R$ 1,5 milhão foi levada em um crime audacioso que envolveu reféns. De acordo com investigações policiais, a facilidade de revenda informal do café e a dificuldade de rastreamento do produto favorecem a atuação de esquemas criminosos organizados, tornando-o um alvo atraente.

O cenário de valorização do café é impulsionado por uma combinação de fatores: oferta apertada, demanda global aquecida e perdas significativas causadas por eventos climáticos adversos. Nos últimos 12 meses, o café acumulou uma alta superior a 80%. A colheita de arábica em 2024, por exemplo, já decepcionou com grãos de menor tamanho, e os primeiros indicativos para a safra atual não são mais animadores, contribuindo para a manutenção dos preços em patamares elevados.
Apesar da escalada dos preços, a realidade para os produtores brasileiros é complexa. Muitos relatam que suas margens de lucro estão em queda, pressionadas pelo custo elevado dos fertilizantes, a logística precária e a alta volatilidade inerente ao mercado de commodities.
A onda de roubos, no entanto, adiciona uma camada extra de preocupação. Com caminhões se transformando em alvos milionários e fazendas cada vez mais vulneráveis, a valorização do café, que deveria ser um motivo de comemoração, está também trazendo consigo um risco iminente para toda a cadeia produtiva. A segurança no campo e no transporte se torna um desafio crucial para o setor.
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