A gigante varejista Carrefour causou um terremoto no mercado internacional ao anunciar que deixará de vender carne proveniente do Mercosul em suas lojas na França. A decisão, anunciada pelo CEO global da empresa, gerou um intenso debate sobre as relações comerciais entre a Europa e a América do Sul, além de acender o debate sobre os impactos do acordo de livre comércio entre os blocos.
Embora a justificativa oficial da empresa seja a de "preocupações com a qualidade da carne", a medida é amplamente interpretada como um sinal de apoio aos protestos de agricultores franceses, que temem a concorrência com produtos mais baratos do Mercosul. A abertura do mercado europeu para as proteínas sul-americanas, na visão dos agricultores franceses, poderia levar à queda dos preços e à desvalorização de seus produtos.
O Carrefour, com mais de 5.800 lojas na França, é a segunda maior rede de supermercados do país e sua decisão tem o potencial de desencadear um movimento de boicote à carne do Mercosul em outros países europeus. O Brasil, maior produtor mundial de carne bovina, é o principal fornecedor da União Europeia, respondendo por 27% das importações do bloco. O Mercosul, como um todo, detém 55% desse mercado.
A medida do Carrefour coloca em risco o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que ainda precisa ser ratificado por todos os países membros. O tratado, que poderia ser um dos maiores acordos comerciais do mundo, tem sido alvo de críticas de diversos setores da sociedade europeia, incluindo ambientalistas e defensores dos direitos dos trabalhadores.
A decisão da rede francesa gerou forte reação do setor agro brasileiro, que classificou a medida como "política" e sem fundamento. Representantes do setor argumentam que o Brasil é líder mundial em produção de carne bovina e que seus produtos atendem aos mais altos padrões de qualidade e segurança alimentar.
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