O governo Lula está estudando elevar as tarifas de importação sobre carros e aço a partir de 2026, com o objetivo dito pelo governo é de proteger a indústria brasileira diante da forte concorrência, especialmente chinesa, e captar cerca de R$ 14 bilhões para equilibrar as contas públicas no próximo ano. A proposta decorre do aumento expressivo das importações desses produtos no Brasil, que têm pressionado setores industriais locais.
Essa elevação tarifária deve impactar diretamente o custo dos automóveis e dos produtos que dependem do aço, como materiais da construção civil, provocando um aumento nos preços ao consumidor. A justificativa oficial para a medida é evitar a “enxurrada” de produtos importados vindos principalmente da China, que têm ganhado espaço no mercado brasileiro desde que os Estados Unidos aplicaram tarifas contra produtos chineses, forçando uma realocação da produção para outros países.
Dados apontam que as importações de aço devem crescer mais de 30% em 2025, exatamente em um momento em que a produção nacional está em queda. No setor automotivo, 62% dos carros importados para o Brasil já são chineses, o que levou as montadoras brasileiras a pedirem a recomposição da tarifa para 35%, alegando concorrência desleal. O presidente Lula percebeu nesse cenário uma oportunidade para, simultaneamente, proteger as empresas nacionais e enfrentar o desafio fiscal. O governo projeta fechar 2025 com déficit de aproximadamente R$ 70 bilhões e tem como meta reverter essa situação para gerar superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34 bilhões, em 2026.
Para alcançar esse objetivo, medidas como o aumento das tarifas de importação serviriam para aumentar a arrecadação e reduzir a dependência industrial do exterior. O governo avalia que a solução tributária pode ser um caminho para fortalecer o caixa público sem abrir mão da proteção industrial.

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