O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) liberou nesta sexta-feira (30) o lote final e definitivo de documentos relacionados ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, cumprindo lei aprovada em novembro pelo Congresso. O conjunto inclui mais de 3 milhões de páginas, 2 mil vídeos e 180 mil imagens, marcando o fim das divulgações planejadas pelo governo Trump, conforme anunciou o vice-procurador-geral Todd Blanche em coletiva de imprensa.
Blanche destacou as "extensas" edições nos arquivos, justificadas por exceções legais que protegem identidades de vítimas e investigações em andamento. Divulgações anteriores, fortemente censuradas, geraram críticas de parlamentares. O DOJ reteve materiais com base em privilégios como advogado-cliente e produtos de trabalho, o que alguns congressistas alegam contrariar a lei, que exigia transparência em comunicações internas sobre acusações contra Epstein e associados.
Trump, amigo de Epstein nos anos 1990 e início dos 2000 antes de romperem, resistiu à divulgação por meses, até ser forçado pela lei bipartidária. Ele nega qualquer irregularidade ou conhecimento dos crimes e não foi acusado formalmente. Os arquivos mencionam alegações "falsas e sensacionalistas" contra Trump, apresentadas ao FBI antes das eleições de 2020, mas o DOJ as classifica como infundadas. A primeira leva, em dezembro, teve poucas referências ao presidente.
Epstein, financista de Nova York ligado a elites políticas e empresariais, morreu enforcado em 2019, em suposto suicídio enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual – fato que alimentou teorias da conspiração, inclusive promovidas por Trump em sua campanha de 2024. Blanche rebateu acusações de encobrimento: "Não há parcela oculta de informações; não optamos por não processar". Ele defendeu a demora, atribuída à revisão por centenas de advogados, superando o prazo de 19 de dezembro de 2025.
O DOJ enviará relatório ao Congresso resumindo edições e retenções. O líder democrata Chuck Schumer questionou a conformidade: "Acreditamos que não". O escândalo persiste como problema político para Trump, em meio a queda de aprovação na economia e imigração.
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