A reforma tributária brasileira, com vigência prevista para 2026, agita o debate econômico no Paraguai. Para compensar a ampliação da isenção do Imposto de Renda (IR) para salários de até R$ 5 mil, o governo Lula instituiu uma tributação mínima anual sobre altas rendas. Quem ganha acima de R$ 600 mil por ano pagará alíquota progressiva, chegando a 10% para rendimentos superiores a R$ 1,2 milhão. Além disso, dividendos acima de R$ 50 mil mensais, pagos pela mesma empresa, terão retenção de 10% na fonte.
Historicamente isentos, os dividendos representam a principal remuneração de sócios e empresários no Brasil. Com o aumento da carga tributária, o retorno líquido encolhe, incentivando a busca por alternativas. É nesse cenário que o Paraguai surge como destino atraente, graças a impostos baixos, regras simples e previsibilidade — com promessa governamental de não elevar a carga tributária até 2028.
Os números impressionam: mais de 22 mil brasileiros solicitaram residência no país em 2025, muitos motivados por razões fiscais. A indústria maquiladora, beneficiada por regime especial de exportação, deve ultrapassar US$ 1 bilhão em vendas este ano, com o Brasil como principal mercado. Para Assunção, a estratégia é clara: capturar investimentos brasileiros fugindo da tributação elevada, transformando a "janela fiscal" em um polo competitivo de produção global, além de seu papel tradicional como fornecedor de energia e terras baratas.
Especialistas preveem que essa migração de capitais pode acelerar a diversificação econômica paraguaia, mas alertam para desafios como infraestrutura e estabilidade política de longo prazo.

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