A economia cubana, já fragilizada por anos de escassez, enfrenta agora um risco iminente de colapso total após a queda de Nicolás Maduro na Venezuela. Desde os anos 2000, a ilha caribenha depende crucialmente do petróleo subsidiado enviado por Caracas para sustentar serviços essenciais como geração de eletricidade, transporte público e operação de hospitais. Cuba consome cerca de 100 mil barris de petróleo por dia, mas sua produção interna cobre apenas um quarto dessa demanda. A Venezuela supria 26,5 mil barris diários, um fluxo vital que parou completamente desde a captura de Maduro.
Sem esses envios, Cuba mergulhou em uma crise energética aguda. Apagões prolongados e frequentes paralisam a vida cotidiana, o transporte público opera de forma precária, e setores como saúde, alimentação e turismo sofrem impactos diretos. Hospitais enfrentam dificuldades para manter equipamentos, enquanto a distribuição de alimentos piora a escassez crônica. Para os cubanos, acostumados a desafios, esse cenário parece o pior possível: a falta de remédios, energia e comida impulsiona um êxodo recorde, com milhares migrando rumo aos Estados Unidos em busca de sobrevivência.
A pressão externa intensifica o drama. O presidente americano Donald Trump elevou o tom nos últimos dias, declarando que Cuba não terá mais acesso ao "petróleo nem ao dinheiro da Venezuela". Ele sugeriu que Havana feche um acordo com Washington "antes que seja tarde demais" e até repostou mensagem propondo Marco Rubio, senador filho de imigrantes cubanos, como "presidente de Cuba". Em resposta, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel rebateu com veemência, afirmando que os EUA "não têm autoridade moral" para impor condições e reafirmando a soberania da ilha.
Cuba busca alternativas, mas sem sucesso pleno. O México emergiu como fornecedor recente, porém em volumes modestos. A Rússia continua com entregas limitadas, mas nenhum país se comprometeu a substituir a Venezuela como principal fonte de energia. Analistas alertam que, sem uma solução rápida, o colapso econômico pode se materializar em semanas, com ramificações sociais e políticas profundas para o regime de Díaz-Canel.
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