A decisão do governo federal de remanejar R$ 750 milhões do orçamento de 2025 para ações ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) gerou forte repúdio por parte do Sistema FAEP. O Ministério do Planejamento anunciou a destinação da verba para a aquisição de alimentos da agricultura familiar e para o Fundo de Terras e da Reforma Agrária.
Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP, classificou a medida como "descabida", especialmente por envolver um movimento conhecido por invasões de terras. "No Paraná, temos inúmeros exemplos de atos violentos que levaram insegurança jurídica aos nossos produtores rurais", destacou Meneguette, citando invasões como a da fazenda Araupel em 2014, a Fazenda Figueira em 2015 e a Fazenda Capão do Cipó no mesmo ano, além da interdição da rodovia PR-170 em 2023, onde policiais militares foram agredidos e feitos reféns.
A FAEP argumenta que os recursos seriam mais bem aproveitados se direcionados ao Plano Safra 2025/26, permitindo que agricultores e pecuaristas planejassem a próxima temporada, ou para o seguro rural, protegendo os produtores de eventuais perdas. "Os produtores rurais não suportam mais conviver com invasões e insegurança jurídica", afirmou Meneguette, ressaltando a necessidade de diálogo entre o governo e o setor agropecuário.
A decisão do governo federal ocorre após o presidente Lula visitar um assentamento do MST, marcando sua primeira visita a um assentamento do movimento durante o atual mandato. No total, quase R$ 40 bilhões serão remanejados no orçamento de 2025 para contemplar novas prioridades, com cortes em outros programas, como o Bolsa Família, que teve redução de R$ 7,7 bilhões. A expectativa é que o Orçamento Geral da União de 2025 comece a ser votado na próxima terça-feira (18) no Congresso Nacional.
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