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Sexta-feira, 24 de Abril de 2026
USP clona porco pela primeira vez na América Latina

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USP clona porco pela primeira vez na América Latina

Avanço Abre Caminho para Transplantes de Órgãos Animais em Humanos e Alivia Filas do SUS

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Em um marco histórico para a ciência brasileira, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), no campus de Piracicaba, anunciaram o nascimento do primeiro porco clonado na América Latina. O feito, alcançado após seis anos de tentativas incansáveis, representa um salto tecnológico que posiciona o Brasil como líder emergente na clonagem de suínos – uma técnica considerada mais desafiadora do que a clonagem de gado, já realizada no país há anos.

O porquinho, batizado de "clone pioneiro", veio ao mundo pesando 1,7 kg, demonstrando viabilidade e saúde inicial promissora. A clonagem foi possível graças a uma transferência nuclear de células somáticas, método que replica o DNA de um animal doador em um óvulo sem núcleo, resultando em um clone geneticamente idêntico. Esse sucesso inédito na região supera barreiras biológicas impostas pela fisiologia suína, como maior suscetibilidade a falhas embrionárias e rejeições imunológicas.

O projeto, liderado por cientistas do Departamento de Zootecnia da Esalq-USP, vai além da proeza técnica. Seu foco principal é revolucionar a medicina transplantológica no Brasil. Com a edição genética via CRISPR-Cas9, os porcos clonados serão modificados para produzir órgãos compatíveis com humanos, eliminando o risco de rejeição hiperaguda causado por incompatibilidades entre espécies. Órgãos como rim, córnea, coração e pele estão no centro das pesquisas, representando impressionantes 94% da demanda por transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS).

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No SUS, que banca quase 100% dos procedimentos de transplante no país, as filas de espera são dramáticas: milhares de pacientes aguardam por rim ou coração, com mortalidade anual na casa dos milhares devido à escassez de doadores humanos. A xenotransplantação – transplante de órgãos animais para humanos – surge como solução ética e escalável. "Estamos a um passo de suprir a maior parte das necessidades transplantológicas do Brasil com órgãos suínos modificados", afirmou o coordenador do projeto, em entrevista coletiva.

Esse avanço não é isolado. O Brasil já domina a clonagem bovina desde 2005, com rebanhos clonados usados na pecuária de elite. Agora, com suínos – animais de anatomia similar à humana e reprodução prolífica –, o país caminha para exportar expertise. Regulamentações da Anvisa e do Conep já acompanham os testes, com fases pré-clínicas previstas para 2027. Críticos apontam riscos éticos, como bem-estar animal e desigualdades no acesso, mas defensores destacam o potencial salvador para vidas humanas.

O nascimento do porco clonado reacende esperanças em um sistema de saúde sobrecarregado. Enquanto o mundo debate limites da biotecnologia, o Brasil inova, unindo ciência e saúde pública em prol de um futuro sem filas mortais.

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