O Banco Central decretou nesta semana a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital controlado pelo grupo Master desde 2024 e que atendia 12 milhões de clientes, sendo 60% deles concentrados no Nordeste do país. A medida veio após o BC concluir que a situação financeira da instituição se tornou insustentável, agravada por um problema crítico dois dias antes: na segunda-feira, a Mastercard bloqueou o Will Bank de seu sistema por falta de repasses das taxas da bandeira, paralisando completamente o funcionamento dos cartões.
Essa interrupção foi o estopim para a intervenção regulatória. Com a liquidação, a Mastercard acionou uma garantia contratual com o Will Bank e passou a deter cerca de 32% das ações da varejista Westwing e quase 7% do banco BRB. A companhia de pagamentos já anunciou que pretende vender esses papéis no curto prazo, minimizando impactos em seu portfólio.
O caso Will Bank surge na sequência da liquidação do próprio Master na semana passada, expondo fragilidades no setor de bancos digitais. Agora, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), conhecido como o "seguro" dos depósitos bancários, assume o protagonismo. O órgão ressarcirá clientes com saldos em conta e investidores em CDBs do banco, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Somando os R$ 41 bilhões estimados para o Master e os R$ 6,3 bilhões do Will Bank, o FGC pode precisar desembolsar até R$ 48 bilhões — valor que representa cerca de 40% de seu caixa atual. "God save the King FGC", ironiza o mercado financeiro diante da pressão sobre o fundo, que garante a estabilidade do sistema bancário brasileiro.
Essa sequência de eventos levanta alertas sobre a supervisão de fintechs e o risco sistêmico em instituições de rápido crescimento. Clientes do Will Bank devem aguardar orientações do FGC para acessar seus recursos, enquanto o BC investiga as causas profundas da crise.
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