O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Vianna (Podemos-MG), retirou de pauta nesta quinta-feira (5) um requerimento que pedia a quebra total dos sigilos bancário e fiscal do Banco Master, investigado por fraudes em empréstimos consignados a aposentados e pensionistas. Vianna argumentou que o pedido extrapolava o objeto da comissão, limitado aos contratos irregulares com o INSS, e não poderia ser usado no relatório final. "Não há sentido em pedir 100% das operações", disse ele a jornalistas, sugerindo que o texto seja refeito para análise futura.
A decisão ocorre em meio a tensões políticas. A CPMI transfere o foco para o banqueiro Daniel Vorcaro, em prisão domiciliar, com depoimento marcado para 26 de fevereiro. Parlamentares defendem apurar 251 mil dos 324 mil contratos firmados com o banco, com indícios de irregularidades apontados pelo INSS, como falta de documentos essenciais: valor emprestado, taxa de juros, custo efetivo e assinatura eletrônica sem QR code para validação.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), autor do requerimento, defendeu ajustes no texto e acusou manobra para "blindar" o banco. Já o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) rebateu, chamando o pedido de "cortina de fumaça" da oposição para impedir avanço aos "mandantes do roubo". O líder do governo, senador Randolfe Rodrigues (PT-PE), lembrou que o acordo de cooperação técnica entre Master e INSS foi assinado em 17 de setembro de 2020, no governo anterior, sob Roberto Campos Neto no Banco Central. A intervenção no banco só veio com Gabriel Galípolo, atual presidente da autarquia.
A oposição, como a deputada Bia Kicis (PL-DF), tenta ligar o escândalo ao governo Lula, enquanto petistas rebatem que os desvios começaram antes.
Depoimento do presidente do INSS reforça irregularidades
No mesmo dia, a CPMI ouviu Gilberto Waller Júnior, presidente do INSS, que justificou a não renovação do contrato com o Master em 18 de setembro, antes da liquidação do banco. "Verificando reclamações dos segurados, não vimos condições de assinar o termo de compromisso", explicou. Ele detalhou falhas nos contratos não protocolados: ausência de dados básicos e assinaturas eletrônicas sem certificação via QR code.
Vianna citou parecer da Advocacia do Senado e do STF para limitar o escopo, evitando que a comissão fuja do tema original. A sessão expôs divisões: oposição cobra amplitude nas investigações, enquanto base governista prioriza consignados e critica narrativas políticas.
Comentários: