Em Apucarana, no norte do Paraná, uma jovem de 23 anos viveu momentos de tensão e constrangimento na manhã de 8 de janeiro de 2026, durante uma viagem de ônibus no transporte coletivo urbano. A vítima, estava no interior do veículo quando outro passageiro a alertou sobre um homem que, de forma dissimulada, usava o celular para registrar fotografias da região de suas nádegas. Determinada, ela observou a ação, confirmou o ocorrido e, em um ato imediato de reação, tomou o aparelho das mãos do suspeito, de 55 anos, conhecido como E.M.O.
Ao acessar o celular, ela visualizou as imagens comprometedoras e as excluiu na hora, evitando que as fotos fossem disseminadas. A situação escalou para uma discussão verbal acalorada ainda dentro do ônibus, no terminal urbano da Rua Rio Branco, no Centro da cidade. O tumulto chamou a atenção de outros usuários do transporte, que presenciaram o confronto. "Eu não podia deixar isso passar em branco. Foi horrível me sentir exposta assim", relatou a vítima aos policiais militares, segundo o boletim de ocorrência.
A equipe da Polícia Militar foi acionada pela Central de Operações por volta das 7h01 e chegou rapidamente ao local. Os agentes realizaram contato com a vítima, que confirmou todos os detalhes da importunação sexual. Apesar da indignação, a jovem optou, naquele momento, apenas pelo registro do boletim de ocorrência (BO), reservando a decisão sobre uma eventual representação criminal para análise posterior. Ela recebeu orientações completas sobre seus direitos, incluindo os procedimentos legais para prosseguir com uma denúncia formal, como a ação penal pública condicionada à representação da vítima, prevista no artigo 215-A do Código Penal.
O caso destaca a vulnerabilidade das mulheres no espaço público, especialmente em transportes coletivos lotados, onde atos de assédio como esse se tornam comuns. A importunação sexual, crime introduzido na legislação brasileira em 2018 pela Lei 13.718, prevê pena de 1 a 5 anos de reclusão quando praticada com violência ou grave ameaça, mas pode ser aplicada também em condutas libidinosas não consentidas, como filmagens voyeurísticas. Em Apucarana, incidentes semelhantes já foram registrados em ônibus, reforçando a necessidade de campanhas de conscientização e maior vigilância por parte das empresas de transporte e autoridades.
A PM enfatizou a importância de denúncias rápidas para coibir esses comportamentos. E.M.O. foi identificado e orientado, mas não foi detido no local, uma vez que a vítima priorizou o registro formal. O BO servirá como base para eventuais investigações futuras, dependendo da escolha da vítima. Especialistas em direitos da mulher recomendam que vítimas preservem provas, como prints ou testemunhas, e busquem apoio em delegacias especializadas, como a Delegacia da Mulher.
O episódio reacende o debate sobre segurança no transporte público paranaense, onde relatos de assédio crescem anualmente. Dados do Observatório dos Direitos Humanos apontam que 86% das mulheres já sofreram algum tipo de importunação em ônibus no Brasil.

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