O escândalo da fraude de R$ 12 bilhões no Banco Master, que envolveu ligações do empresário Vorcaro com políticos e ministros do STF, além de entraves entre TCU e Banco Central, ganhou novo capítulo com ataques coordenados de influenciadores digitais contra o BC e seus servidores. No fim do ano passado, perfis sem expertise em economia dispararam críticas simultâneas à liquidação do banco, em uma janela de apenas 36 horas, levantando suspeitas de orquestração paga.
Um levantamento da Febraban identificou ao menos 46 perfis atuando de forma sincronizada, questionando a credibilidade do processo de investigação. Destaque para a página Alfinetei, com mais de 25 milhões de seguidores no Instagram, parte de uma rede de contas de "fofoca" que amplificou a narrativa anti-BC. Outro nome na lista é o perfil @festadafirma, conhecido por conteúdos virais. Esses influenciadores, sem histórico na área financeira, publicaram conteúdos idênticos ou semelhantes, sugerindo coordenação profissional.
Um vereador e influenciador do PL revelou ter recusado uma oferta de "gerenciamento de reputação" para um "grande executivo", possivelmente ligado ao caso. Em vídeo, ele expôs a abordagem de uma empresa que prometia pagamento por posts favoráveis. Investigadores agora rastreiam a origem dos recursos, com indícios preliminares de que a campanha custou até R$ 2 milhões.
Paralelamente, o ministro Jonathan de Jesus, relator do caso no TCU, decidiu paralisar um pedido de inspeção técnica no Banco Central, o que intensifica as tensões entre os órgãos fiscalizadores. Essa manobra ocorre em meio às denúncias, alimentando debates sobre interferências políticas no processo.
O episódio expõe os riscos da desinformação nas redes sociais, especialmente em casos sensíveis como fraudes bancárias. A Febraban alerta para o uso de perfis massivos para manipular a opinião pública, enquanto o BC defende a lisura de sua atuação na liquidação do Master. Autoridades prometem aprofundar as apurações para identificar financiadores e responsáveis.

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