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Quinta-feira, 05 de Marco de 2026

Justiça

Toffoli abandona relatoria do Caso Master no STF

Acordão entre Ministros Preserva Imagem da Corte e Nomeia Mendonça como Novo Relator

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Por Tribuna Digital
Toffoli abandona relatoria do Caso Master no STF
Ton Molina | STF
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Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou que está deixando a relatoria das investigações sobre o Banco Master após uma reunião de quase três horas com os demais integrantes da Corte. A decisão veio em meio a pressões internas e preocupações com a imagem institucional do STF, resultando em um acordo que reconhece a validade de todos os atos praticados por Toffoli, mas redistribui o caso por "altos interesses institucionais", conforme nota assinada por todos os dez ministros.

O Banco Master, liquidado em novembro de 2025 com um rombo estimado em R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), é investigado por fraudes financeiras bilionárias. Um relatório de 200 páginas da Polícia Federal (PF), entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, apontou contatos entre Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco, além de menções em conversas de Vorcaro com seu cunhado, Fabiano Zettel, a pagamentos de cerca de R$ 20 milhões a uma empresa ligada ao ministro. Não há provas de transferências efetivas até o momento.

No centro das suspeitas está a Maridt Participações, fundada em agosto de 2020 com capital de R$ 150 e no nome de dois irmãos de Toffoli, operando em uma casa simples no interior de São Paulo. Três meses depois, a empresa entrou como sócia do Tayayá Resort, no Paraná, com participação de R$ 4,2 milhões via "compensação de crédito" – uma dívida não especificada quitada com 33% das ações do hotel. Em fevereiro de 2021, o capital social foi aumentado, elevando a fatia da Maridt para R$ 5,4 milhões. Em setembro de 2021, o fundo Arleen, de Zettel e gerido pela Reag (investigada por lavagem de dinheiro do PCC), comprou parte das cotas por R$ 2,5 milhões; o contrato foi assinado por Silvano Gersztel, executivo da Reag. Em fevereiro de 2025, a Maridt vendeu o restante à PHB Holding, de Paulo Humberto Barbosa, advogado dos irmãos Batista (J&F), cuja multa de R$ 10,3 bilhões foi suspensa por Toffoli em 2023.

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Toffoli negou qualquer relação com Vorcaro, afirmou ser sócio da Maridt e que todas as movimentações foram declaradas à Receita Federal, com vendas a valor de mercado. Registros no celular de Vorcaro mostram telefonemas e um convite para a festa de aniversário do ministro.

Minutos após a nota, André Mendonça foi sorteado como novo relator. Ele criticou nos bastidores a PF por investigar Toffoli sem autorização judicial e, na reunião, defendeu a "fé pública" do colega, considerando nulas as provas da PF por falta de aval prévio do STF. Outros ministros, como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, apoiaram Toffoli, criticando a PF por "revidar" decisões contrárias; Cármen Lúcia e Fachin foram contrários à permanência.

O "acordão" gerou críticas de juristas e da Transparência Brasil, que veem violação ao princípio da indeclinabilidade da jurisdição e rebaixamento de critérios de suspeição. Há expectativa de atualizações com investigações da PF e o depoimento de Vorcaro à CPMI do INSS após o Carnaval. O caso pode impactar a imagem do STF e até as eleições de 2026, com Lula preocupado com respingos em seu governo, apesar de mágoas antigas com Toffoli.

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