O escândalo do Banco Master, que abalou o sistema financeiro brasileiro, ganha um capítulo decisivo no Tribunal de Contas da União (TCU). O processo apura falhas e omissões do Banco Central (BC) na liquidação da instituição, comandada pelo banqueiro Marcelo Vorcaro. Embora o TCU não possa reverter decisões técnicas, pode julgar se o BC respeitou a legalidade, o que pode fragilizar ações criminais em curso.
Relator do caso, o ministro Jhonatan de Jesus enfrenta pressão de políticos influentes do Centrão, segundo informações da Folha de S. Paulo. A defesa de Vorcaro aposta nessa frente: não busca anular a liquidação em si, mas questionar irregularidades no processo que a antecedeu. Se o TCU identificar vícios, o caso perde força no âmbito penal, reduzindo chances de condenação e afastando o risco de delação premiada do banqueiro — um pesadelo para figuras políticas envolvidas.
Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) avança nas investigações. Na terça-feira, Vorcaro depôs por quase três horas à Polícia Federal (PF), respondendo a questionamentos enviados pelo ministro Dias Toffoli, incluindo uma avaliação do BC sobre o caso. Também foram ouvidos o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC — este último, apontado em uma videoconferência com Vorcaro horas antes da prisão do banqueiro.
Os depoimentos revelaram contradições. No fim da noite, a PF dispensou Aquino e determinou acareação imediata entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, visando esclarecer divergências. O caso Master, que envolve supostas fraudes e liquidação sumária, segue como fio desencapador de ramificações políticas e financeiras no Brasil.

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