O Tesouro Nacional informou nesta quarta-feira (28) que a Dívida Pública Federal (DPF) encerrou 2025 em R$ 8,635 trilhões, registrando alta de 18% ante os R$ 7,316 trilhões de 2024. O principal motor do aumento foi a incorporação de R$ 879,9 bilhões em juros ao estoque da dívida, mecanismo que reconhece mensalmente a correção sobre os títulos emitidos. Além disso, o governo emitiu R$ 439,06 bilhões a mais do que resgatou no ano.
Em dezembro, a DPF subiu 1,82%, impulsionada por emissões líquidas de R$ 60,82 bilhões na Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), que avançou 19,26% no ano, para R$ 8,309 trilhões. Nesse mês, foram emitidos R$ 65,37 bilhões em títulos, com resgates baixos de R$ 4,55 bilhões em prefixados, somados a R$ 82,82 bilhões em juros apropriados. A Taxa Selic em 15% ao ano pressiona esse processo, elevando o endividamento.
Contraponto positivo veio da Dívida Pública Federal externa (DPFe), que caiu 6,62% no ano, de R$ 349,19 bilhões para R$ 326,07 bilhões, beneficiada pela desvalorização do dólar. Em dezembro, porém, subiu 3,53% devido à alta de 3,16% da moeda americana, influenciada por tensões com o governo Trump e remessas de divisas antes da reforma do Imposto de Renda.
O "colchão" de liquidez, reserva para turbulências, recuou de R$ 1,213 trilhão em novembro para R$ 1,187 trilhão em dezembro, por emissões líquidas negativas. Ainda cobre 7,33 meses de vencimentos, com R$ 1,507 trilhão previstos nos próximos 12 meses.
Na composição da DPF, títulos Selic subiram de 48,14% para 48,25%, atraídos pelas altas do Copom; inflação caiu de 26,1% para 25,93%; prefixados de 22,07% para 22,05%; e câmbio de 3,7% para 3,76%. Isso alinha-se ao Plano Anual de Financiamento (PAF) revisado, que previa R$ 8,5 a R$ 8,8 trilhões – meta original era até R$ 8,5 trilhões.
O prazo médio da dívida encolheu de 4,08 para 4 anos, sinal de menor confiança em prazos longos em meio à instabilidade. Prefixados indicam previsibilidade, mas em cenários voláteis investidores exigem juros altos.
Entre detentores da dívida interna, bancos lideram com 32,88%, seguidos por fundos de pensão (22,76%), fundos de investimento (20,79%), não residentes (10,35%, alta ante 10,05% em novembro) e demais (13,22%). Estrangeiros voltam a comprar apesar das tensões.
A dívida pública financia compromissos do governo, devolvidos com correção por Selic, inflação, dólar ou taxa fixa.
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