Os Estados Unidos anunciaram a suspensão indefinida do processamento de vistos para imigrantes de 75 países, medida que, segundo a Fox News, inclui o Brasil, além de nações como Rússia, Irã, Somália, Afeganistão, Nigéria, Tailândia, Iraque, Egito, Haiti, Eritreia e Iêmen. O Departamento de Estado justificou a decisão como forma de impedir que novos imigrantes se tornem "um encargo público" ao chegarem ao país, especialmente aqueles que recebem benefícios sociais em "taxas inaceitáveis" pagos pelos contribuintes americanos. "O congelamento permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que os novos imigrantes não irão extrair riqueza do povo americano", afirma comunicado oficial.
A pausa, válida a partir de 21 de janeiro, não afeta vistos de turismo. Um memorando interno do Departamento de Estado, ao qual a Fox News teve acesso, orienta funcionários de embaixadas a negar pedidos de vistos a candidatos com fatores de risco, como idade avançada, sobrepeso, baixa proficiência em inglês, situação financeira precária ou necessidade de cuidados médicos de longo prazo. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, compartilhou a notícia da emissora, conferindo tom oficial à informação. O Itamaraty e a Embaixada dos EUA em Brasília foram procurados pela Agência Brasil, mas não se manifestaram até o momento.
A decisão surge em contexto de tensão. Ela coincide com uma onda de mais de mil protestos em todo o país contra a política anti-imigração de Donald Trump, deflagrada após o assassinato da cidadã americana Renee Nicole Good pela polícia de imigração ICE, no estado de Minnesota. Governado por democratas, Minnesota tem sido alvo de críticas do presidente, que acusa imigrantes locais, especialmente somalis, de fraudarem sistemas de benefícios sociais.
Nesta terça-feira, Trump postou em rede social: "Minnesota foi invadida por fraudadores somalis que roubam dos contribuintes americanos e se aproveitam da nossa generosidade. Instruí o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, a SEGUIR O DINHEIRO e acabar com esse abuso de uma vez por todas, primeiro em Minnesota e depois em todo o país!". O governador Tim Walz rebateu, classificando as ações como "retaliação política" por o estado ter votado contra Trump em três eleições.
A medida reforça a agenda restritiva de Trump, que prioriza a proteção de recursos públicos em meio a acusações de abuso por comunidades imigrantes. Analistas veem o anúncio como escalada na guerra cultural sobre imigração, com impactos potenciais para relações bilaterais, incluindo com o Brasil.
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