Teerã e outras 200 cidades iranianas mergulharam em uma onda de protestos inédita desde 2022, com nove dias consecutivos de manifestações que já deixaram pelo menos 20 mortos e quase mil prisioneiros. Ruas lotadas ecoam gritos contra o governo, apesar das ameaças do líder supremo, Ali Khamenei, e do corte de internet em várias regiões. Vídeos de confrontos e multidões viralizam nas redes, alimentando a fúria popular.
A raiz da crise remonta a 2018, quando sanções impostas pelos Estados Unidos asfixiaram a economia iraniana. A exportação de petróleo, que representa 23% do PIB, tornou-se cara e dependente da China, derrubando o poder de compra da população. A inflação galopante, acima de 40% ao ano, corrói salários e poupanças, enquanto prateleiras sofrem com escassez de itens básicos e o desemprego dispara.
O estopim veio em dezembro, com o governo cortando subsídios à gasolina — historicamente um dos combustíveis mais baratos do mundo. Essa medida inflamou as ruas, transformando descontentamento crônico em revolta aberta.
Internacionalmente, o tema ganhou as manchetes. Donald Trump, na Casa Branca, afirmou que os EUA estão "prontos para agir" se as forças do regime reprimirem a população com violência. Do outro lado, com aliados como Hezbollah, Hamas e Venezuela enfraquecidos, rumores de bastidores apontam que Khamenei, no poder há 35 anos, prepara um plano de fuga para a Rússia caso perca o controle.
Os protestos testam os limites do regime teocrático, expondo fragilidades profundas em meio a uma economia sufocada.

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