O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na tarde desta quinta-feira (8), uma ligação do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, para discutir a grave crise na Venezuela. A conversa, confirmada pelo Palácio do Planalto, centrou-se na ação militar promovida pelos Estados Unidos no último sábado (3), que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Os dois líderes expressaram profunda preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, violando o direito internacional, a Carta das Nações Unidas e a soberania venezuelana.
De acordo com nota oficial do Planalto, Lula e Petro alertaram que tais ações criam um precedente perigoso para a paz regional e a ordem internacional. "Essa intervenção armada ameaça a estabilidade de toda a América do Sul", destacou o comunicado, enfatizando os riscos para a segurança coletiva. Brasil e Colômbia, que compartilham as maiores fronteiras terrestres com a Venezuela – cada uma com mais de 2 mil quilômetros –, reiteraram o compromisso com a diplomacia e o respeito às fronteiras nacionais.
Durante o diálogo, os presidentes saudaram o anúncio do presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, sobre a liberação de presos políticos nacionais e estrangeiros detidos no país. Essa medida surge em meio ao caos gerado pelos bombardeios americanos, que danificaram infraestruturas críticas, incluindo um centro de abastecimento de insumos médicos.
Lula informou a Petro que, atendendo a um pedido urgente de Caracas, determinou o envio imediato de 40 toneladas de insumos e medicamentos. Esses suprimentos fazem parte de um lote de 300 toneladas já arrecadadas pelo Brasil para reabastecer estoques de produtos essenciais, como soluções para diálise, destruídos nos ataques. A iniciativa humanitária reforça o papel do Brasil como mediador na região, priorizando a assistência à população civil afetada.
Vale lembrar que Petro conversou ontem (7) com o presidente dos EUA, Donald Trump, após acusações infundadas e ameaças feitas pelo republicano ao líder colombiano. Essa troca prévia adiciona camadas de tensão às relações hemisféricas, com o governo brasileiro monitorando de perto os desdobramentos.
A conversa entre Lula e Petro sinaliza uma frente unida da esquerda sul-americana contra intervenções externas, em um momento de instabilidade que pode repercutir em migrações e economias fronteiriças. Analistas veem no diálogo um esforço para conter escaladas e promover negociações multilaterais via ONU.

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