O Ministério da Saúde publicou portaria no Diário Oficial da União (DOU) rejeitando a incorporação da vacina recombinante adjuvada contra herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão, assinada em 8 de janeiro de 2026, baseia-se em relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que apontou o alto custo do imunizante em relação ao impacto esperado no combate à doença.
A vacina seria destinada a idosos com 80 anos ou mais e indivíduos imunocomprometidos a partir de 18 anos. Apesar de o Comitê de Medicamentos reconhecer sua importância, o relatório destaca a necessidade de negociações para reduzir o preço e tornar a oferta sustentável orçamentariamente. Cálculos indicam que vacinar 1,5 milhão de pacientes por ano custaria R$ 1,2 bilhão anuais, com R$ 380 milhões no quinto ano para os 471 mil restantes, totalizando R$ 5,2 bilhões em cinco anos. "A vacina foi considerada não custo-efetiva", resume o documento.
A portaria permite nova avaliação pela Conitec se surgirem fatos novos que alterem a análise. O herpes-zóster, causado pelo vírus varicela-zóster – o mesmo da catapora –, reageiva-se em idosos ou imunossuprimidos, causando queimação, coceira, febre, bolhas dolorosas em um lado do corpo, geralmente no tronco, face ou lombar. O quadro dura duas a três semanas e, na maioria dos casos, resolve-se sozinho, mas pode levar a complicações graves como danos neurológicos, oculares ou auditivos.
No SUS, o tratamento é sintomático para casos leves, com analgésicos, antitérmicos e cuidados de pele. Em situações graves, como em idosos ou imunocomprometidos, usa-se o antiviral aciclovir. Dados do SIA/SUS e SIH/SUS revelam 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações por herpes-zóster entre 2008 e 2024. Já o Sistema de Informações sobre Mortalidade registra 1.567 óbitos de 2007 a 2023, com taxa de 0,05 por 100 mil habitantes; 90% das mortes ocorreram em maiores de 50 anos, 53,4% em octogenários.
A decisão gera debates sobre priorização de recursos no SUS, equilibrando prevenção e orçamento em meio a doenças crônicas emergentes na população envelhecida.
Comentários: