Na noite de quarta-feira (7), os presidentes Gustavo Petro, da Colômbia, e Donald Trump, dos Estados Unidos, realizaram sua primeira conversa telefônica desde uma série de ameaças e acusações trocadas publicamente. O diálogo ocorre em meio a tensões elevadas, desencadeadas após uma operação militar americana que resultou no sequestro de Nicolás Maduro na Venezuela. Petro compartilhou uma foto da ligação em suas redes sociais e destacou visões divergentes sobre a relação dos EUA com a América Latina.
Durante o papo, o presidente colombiano defendeu o potencial da região para produzir energia limpa, que poderia suprir as necessidades americanas. "Explorar a América Latina em busca de petróleo só levaria à destruição do direito internacional e, portanto, à barbárie e a uma terceira guerra mundial", alertou Petro. Ele propôs um investimento de US$ 500 bilhões, recursos detidos pelos EUA, para viabilizar essa transição energética. "Essa é a minha proposta, fundamentada na paz, na vida e na democracia global", enfatizou.
Trump, por sua vez, descreveu a conversa como uma "grande honra" em declaração lida por Petro durante um ato público. O americano abordou a situação das drogas e outros desentendimentos bilaterais. Petro agradeceu a oportunidade, expressou esperança por um encontro presencial em breve e revelou que negociações já estão em andamento para isso.
O contexto das ameaças remonta ao domingo (4), quando Trump chamou a Colômbia de "muito doente", governada por um "homem doente" que produziria cocaína para os EUA. Em entrevista à imprensa americana, ele chegou a sugerir que uma invasão ao país "parecia uma boa ideia". Petro rebateu duramente, dizendo que Trump tem "um cérebro senil" e vê "os verdadeiros libertadores como narcoterroristas por não entregar carvão ou petróleo".
Logo após a ligação, Petro participou de uma manifestação popular que ele próprio convocou, em Bogotá, para reforçar a soberania colombiana frente às provocações norte-americanas. No palanque, ele reiterou os pontos da conversa e leu a declaração de Trump, galvanizando apoiadores. O episódio sinaliza uma tentativa de diálogo em meio a atritos geopolíticos, com foco em drogas, energia e estabilidade regional.

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