A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal instalou nesta quarta-feira (4) a subcomissão conhecida como Comissão do Banco Master, com 13 membros, para acompanhar as investigações sobre as fraudes bilionárias atribuídas ao banco liderado pelo empresário Daniel Vorcaro. Coordenada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), a iniciativa foi criada em resposta a um escândalo que pode ultrapassar R$ 17 bilhões em prejuízos, considerado pelo parlamentar a maior fraude bancária da história do Brasil.
"Diante da gravidade e da magnitude dos lesados, esse caso deve ser encarado de frente, doa a quem doer", afirmou Calheiros. Ele garantiu que a comissão não retaliará ninguém, mas não poupará omissões em caso de culpa comprovada de parlamentares. O colegiado atuará de forma complementar a eventuais comissões parlamentares de inquérito (CPIs), focando na fiscalização exclusiva do sistema financeiro, competência da CAE.
Entre os poderes da subcomissão, destacam-se a proposta de quebra de sigilos bancários e telefônicos – sujeita à aprovação do plenário do Senado, conforme a Lei Complementar 105/2001 –, visitas a autoridades, diligências e convocação de investigados e testemunhas.
Calheiros anunciou que questionará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por escrito, sobre uma reunião com Vorcaro. "Todos que estiveram na reunião podem colaborar", disse. Na tarde de quarta, a comissão se reunirá com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, criticado por demora na liquidação do banco. "Ninguém mais que o BC pode colaborar, pois no sistema financeiro tudo deixa digitais", argumentou o senador.
Outro alvo é a frustrada tentativa de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), instituição pública do Distrito Federal. "Tentaram vender um banco quebrado para uma instituição pública. O diretor de Fiscalização do BC pressionou o BRB?", questionou Calheiros, que também acusou lideranças parlamentares de chantagearem o Tribunal de Contas da União (TCU) para reverter a liquidação e elevar o teto do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
No Congresso, pedem CPIs. Uma CPMI protocolada pela oposição na terça (3), com 42 senadores e 238 deputados, aguarda aval de Davi Alcolumbre (União-AP). O PT apoia propostas de Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Heloísa Helena e Fernanda Melchionna (PSOL), mas rejeita a da oposição, liderada pelo PL, por suposta politização.
A subcomissão promete transparência e elucidação rápida, em meio a pressões políticas e apelos de lesados.
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