Em um movimento surpreendente, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de um número significativo de venezuelanos e estrangeiros mantidos como presos políticos. Os processos de soltura já estão em andamento, sem que o governo tenha divulgado o total exato de beneficiados. Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, descreveu a iniciativa como um "gesto unilateral do governo bolivariano de ampla intenção de busca pela paz", parte de uma estratégia para consolidar a convivência nacional e fortalecer a união contra agressões externas recentes.
O anúncio ocorre em meio a um contexto de tensão política no país. Rodríguez enfatizou que o governo não mantém diálogos com "setores extremistas que negam a política", limitando-se a conversas com instituições e partidos que respeitam a Constituição venezuelana. Essa posição reflete o esforço para preservar a estabilidade interna, especialmente após eventos recentes que o regime classifica como interferências estrangeiras.
Na véspera, quarta-feira (7), a presidente interina Delcy Rodríguez reuniu-se com ministros para delinear a linha de ação do governo. Ela priorizou o resgate do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que, segundo o discurso oficial, foram sequestrados pelos Estados Unidos no sábado (3). Delcy Rodríguez alertou para a necessidade de preservar a paz territorial e manter o governo democrático diante de supostas agressões externas. A unidade das forças revolucionárias, herdeira da ditadura bolivariana iniciado por Hugo Chávez, foi destacada como indispensável para a continuidade do regime.
O gesto de libertação pode ser interpretado como uma tentativa de aliviar pressões internacionais e domésticas, sinalizando disposição para o diálogo seletivo. Analistas observam que, embora não revele números, a medida chega em momento crítico, com o país enfrentando sanções e disputas políticas. A ditadura bolivariana busca assim reposicionar-se como defensor da paz, enquanto acusa potências estrangeiras de desestabilização.

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