A Venezuela entra em 2025 mergulhada em uma de suas piores crises históricas, enquanto Nicolás Maduro se mantinha no poder após eleições amplamente contestadas por observadores internacionais, que as classificaram como fraudulentas. Em resposta às críticas e ao isolamento externo, o líder chavista passou a se comparar a Davi enfrentando Golias e acusou os Estados Unidos de tentar provocar uma “guerra mundial”, reforçando o discurso de confronto com potências ocidentais.
Por trás da retórica, o país enfrenta um colapso econômico e social de grandes proporções. Entre 2012 e 2020, a economia venezuelana encolheu 71%, resultado de anos de má gestão, queda da produção de petróleo, sanções internacionais e controle rígido do Estado sobre setores produtivos. A hiperinflação, que ultrapassou 130.000%, corroeu salários e poupanças, tornando bens básicos praticamente inacessíveis para boa parte da população.
A crise se traduz no cotidiano em prateleiras vazias, escassez crônica de remédios e apagões constantes. Hospitais operam com recursos limitados, e longas filas por alimentos e combustíveis tornaram-se um elemento permanente da paisagem urbana. Segundo levantamentos recentes, 86% dos venezuelanos vivem na pobreza, enquanto cerca de 75% das famílias enfrentam insegurança alimentar, sem garantia de acesso regular a refeições adequadas.

Diante desse cenário, milhões de cidadãos optaram por deixar o país em busca de sobrevivência e oportunidades em nações vizinhas. O movimento migratório transformou-se em um dos maiores êxodos da história recente da América Latina. Apenas o Brasil recebeu mais de 500 mil venezuelanos desde 2018, pressionando serviços públicos em estados de fronteira, como Roraima, e exigindo respostas coordenadas de acolhimento humanitário, integração social e apoio internacional. Agora com a queda do ditador, milhares de venezuelanos pelo mundo comemoraram e começaram a planejar a volta para casa.

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