A Polícia Federal entregou na noite de terça-feira (11) ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório extraído dos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central. O documento, sob sigilo, revela menções ao ministro Dias Toffoli, atual relator do inquérito sobre irregularidades no banco, incluindo referências a pagamentos à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio e controlada por seus irmãos. Segundo o jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, as mensagens de Vorcaro com seu cunhado Fabiano Zettel discutem repasses de cerca de R$ 20 milhões à Maridt, ligados à venda de 33% da participação no resort Tayayá, no Paraná, em 2021, para o fundo Arllen, acionista ligado ao Master.
Toffoli confirmou o recebimento de valores da Maridt, mas afirmou que as transferências foram declaradas à Receita Federal e ocorreram após a venda do resort, com o restante da participação alienado em fevereiro de 2025 à PHD Holding, tudo dentro do valor de mercado. O gabinete do ministro classificou as citações como "ilações" e contestou a legitimidade da PF para pedir sua suspeição, destacando que ele assumiu a relatoria em novembro de 2025, após menção a parlamentar com foro. Na semana anterior, Toffoli defendeu publicamente o direito de juízes serem acionistas e receberem dividendos, em meio a debates sobre conflitos de interesse.
O relatório também expõe uma "tempestade" de menções a parlamentares e dirigentes partidários nas conversas de Vorcaro, o que pode manter o caso no STF apesar da pressão por afastamento de Toffoli. Investigadores indicam que esses elementos garantem foro privilegiado, ampliando o escopo da apuração sobre o Master, que envolve ligações telefônicas entre Vorcaro e Toffoli, convites para eventos e tratativas sobre o resort.
Em decisão paralela, o ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, retirou o acesso do Banco Central ao processo de fiscalização do Master, alterando o sigilo para "sigiloso com autorização específica", às vésperas do relatório final dos auditores. O TCU justificou a medida para evitar vazamentos, mas o BC afirmou que terá acesso quando necessário. Essa restrição incomum intensifica a crise em torno do caso, que já gerou críticas à atuação do STF e demandas por CPMI no Congresso.
Fachin decidirá sobre a relatoria de Toffoli, em um momento de tensão no Judiciário, com o dossiê de 200 páginas apontando possíveis incompatibilidades.
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