Os Estados Unidos iniciaram ontem um "shutdown" — a paralisação de parte das atividades do governo federal — após o Congresso não chegar a um acordo para aprovar o Orçamento para o ano de 2026. A falta de consenso resultou no fechamento de serviços não essenciais e afeta o pagamento imediato de mais de 2 milhões de servidores públicos.
O principal ponto de atrito entre os partidos é a questão da saúde. Os democratas defendiam a renovação dos subsídios do Obamacare, programa que reduz o custo de planos para famílias de baixa renda. Sem a renovação, estima-se que 22 milhões de americanos poderiam sofrer um aumento médio de 75% no valor do seguro em 2026.
Os republicanos, por sua vez, defendiam a extensão dos gastos sem incluir a saúde no pacote, citando o custo de assistência médica para imigrantes ilegais. O próprio ex-presidente Trump, já prevendo a paralisação, sugeriu que o período poderia ser usado para cortar programas democratas e "demitir muita gente".
O impacto do shutdown já se faz sentir: o Departamento de Trabalho suspendeu a divulgação de relatórios cruciais, como o de empregos. Além disso, serviços da Receita Federal serão reduzidos, e parques e museus federais fecharão, com companhias aéreas alertando para possíveis atrasos. A última paralisação longa, em 2019 (35 dias), custou US$ 11 bilhões à economia americana.
A responsabilidade pelo impasse é alvo de troca de acusações: democratas lembram que os últimos dois shutdowns ocorreram durante o governo Trump, enquanto o ex-presidente e sua base culpam a oposição.
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