A Polícia Federal (PF) conseguiu quebrar a criptografia do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, epicentro do maior escândalo financeiro da história do Brasil. A façanha foi confirmada pelo especialista em tecnologia Adriano Ponte, do Canaltech, durante o programa Live CNN. Ele detalhou o processo, destacando como a PF usou um software especializado para acessar dados que podem revelar conexões políticas explosivas do banqueiro.
Ponte esclareceu que criptografia não é apenas uma senha de tela, mas um método avançado de ofuscação de dados. Ela "danifica" o conteúdo original – como fotos ou textos – tornando-o ilegível sem a chave específica de acesso. "A criptografia é tão forte quanto a chave", enfatizou o expert. Se a chave for fraca ou houver backups menos protegidos, hackers ou autoridades podem contorná-la com ferramentas adequadas. No caso de Vorcaro, o dispositivo Apple foi invadido graças a um programa comprado pela PF, que não garante sucesso em todos os cenários, mas foi eficaz aqui.
O acesso pode expor mensagens apagadas e contatos com deputados e senadores, alimentando investigações sobre o esquema Master. Ponte alertou: aplicativos como WhatsApp usam criptografia de ponta a ponta na transmissão, mas se o celular for desbloqueado ou a proteção fraca, tudo fica vulnerável. Para usuários comuns, o conselho é claro: criptografe bem o aparelho, mesmo que isso o torne mais lento, criando blocos gigantes de dados ilegíveis.
O caso ganha contornos políticos. Uma CPI do Master discute quebrar sigilo telefônico de Vorcaro, enquanto o ministro Toffoli impôs sigilo ao processo no STF.
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